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sábado, 10 de maio de 2014

Pessoas Dentro da Farda

Quando um policial comete um excesso ou mata alguém, pode enfrentar processo, ser expulso da polícia ou ir preso. Mas ainda não se viu nenhum cartaz dizendo ‘Fora traficantes



A13 de março último, o aspirante a oficial da PM Leidson Alves, 27 anos, foi morto por traficantes com um tiro na cabeça durante um patrulhamento no Morro do Alemão. Foi o 19º PM morto neste ano no Rio, sendo 13 em emboscadas parecidas — alguns quando estavam de folga. A 7 de abril, ao voltar para casa, outro PM, Lucas Barreto, 23, foi capturado em São Gonçalo e levado para uma favela. Deram-lhe oito tiros, a maioria nas pernas, e o jogaram num matagal.
Desde então, não sei a quantas anda a estatística de PMs cariocas mortos ou feridos — não em combate, como de praxe no ofício, mas pelas costas, à traição. Nem sempre os jornais registram que o policial assassinado era jovem, recém-casado, filho exemplar ou pai de filhos. Artistas da Globo não vão a seus enterros. Não se sabe de missas por suas almas e, na verdade, ninguém está interessado. É como se não houvesse uma pessoa dentro da farda.

Nas últimas “manifestações” no Rio, elementos brandiram cartazes dizendo “Fora UPP” e “UPP assassina”. É fácil protestar contra as Unidades de Polícia Pacificadora. Quando um policial comete um excesso ou mata alguém, pode enfrentar processo, ser expulso da polícia ou ir preso. Mas ainda não se viu nenhum cartaz dizendo “Fora traficantes”. E, no entanto, contra a violência destes, não há recurso — a comunidade tem de aceitar calada os tapas na cara, o estupro de suas filhas e as execuções sumárias de quem eles considerem suspeitos.

É difícil acreditar que essa hostilidade à polícia parta de gente de bem nas comunidades. Os números mostram que, com as UPPs, as mortes diminuíram, os serviços aumentaram e sua economia cresceu.

Tais dados são lesivos, isto sim, aos traficantes, às milícias, aos que vivem das migalhas do crime e a políticos que, para sobreviver, precisam que as UPPs fracassem.

Transcrição da “Folha de S.Paulo”, escrito por Ruy Castro



Esse texto o autor relata uma realidade não só do Rio, mas de todo o país, onde a policia é hostilizada por atos de excesso ou erros intermitentes, mas os violentos constantes, marginais, disseminadores de maldade não são hostilizados, não são repudiados, ninguém reclama, ninguém vê, ninguém conhece, ninguém sabe!

Isso é uma das provas do indicio da falência da nossa sociedade. Isso mesmo, vivemos uma sociedade falida, onde a troca de valores é real! A população teme e respeita as legiões marginais, suas ordens, suas vontades, seu luto e até a sua brutalidade, mas não tolera aqueles que enfrentam a guerra em busca da reconstrução da paz! Será que alguém já parou para pensar ou se colou no lugar de um homem de farda? Já imaginou como é viver sob constante risco de vida, onde qualquer vacilo, qualquer deslize pode custar suas vidas diante de adversários cruéis e sem honra como os que eles encontram todos os dias, a tensão, o medo, a coragem, a luta pelo autocontrole, o senso de a vontade de viver e voltar para casa para os braços da família.

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